Falta de matéria-prima às vésperas da Black Friday, preocupa o setor.


Diversas indústrias estão sentindo uma escassez de matérias-primas no mercado, de plásticos a algodão e peças automotivas. Muitas indústrias, que ficaram paradas por alguns meses durante a pandemia, agora enfrentam um aumento na demanda e não há material disponível que consiga dar conta de atender ao mercado. O dólar, o aumento das exportações e a dificuldade nas importações também estão entre os motivos. Produtos, como carros, podem atrasar e outros devem ficar mais caros, de acordo com empresários de diversos setores ouvidos por EXAME. Os motivos são vários, mas a preocupação é uma só: a falta de insumos para dar conta da demanda, às vésperas das vendas de final de ano.


O setor têxtil, por exemplo, ficou parado por mais de 100 dias em decorrência das restrições da pandemia. Com a retomada inesperada da demanda, todas as indústrias fizeram pedidos de algodão ao mesmo tempo – o que criou gargalos em toda a cadeia. Além disso, as empresas que produzem fios de maior valor agregado acabam exportando mais, diante do câmbio favorável, relata um empresário do setor.


Fabricantes têm relatado dificuldades para comprar insumos no mercado doméstico, o que pode comprometer a oferta de roupas no país justamente para o final do ano, período de alta no consumo. Algumas afirmam que os fornecedores só conseguirão entregar malhas a partir de 2021. O fato ocorre num momento em que o Brasil deve registar safra recorde de algodão, em torno de 2,9 milhões de toneladas de pluma em 2020. 


Setor de eletrônicos.

Já no setor de eletrônicos, o problema maior é a importação, com um custo mais de fretes para trazer certos componentes da Ásia. “Houve redução no número de navios e aviões vindos da China, o que fez com que os fretes subissem bastante, com uma pressão de custos importante”, diz Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Segundo ele, muitos fornecedores foram surpreendidos pelo aumento do consumo na retormada da economia e usaram todos os estoques disponíveis. Há agora um reforço na produção para repor estoques e atender ao mercado. “Estamos às vésperas de Black Friday e Natal”, diz.


Segundo ele, é improvável que faltem produtos para as compras de final de ano, mas as entregas podem ser atrasadas. “Fazemos produtos e às vezes não tem caixa de papelão para a embalagem”, afirma. Os preços desses itens – muito presenteados no Natal – não devem ficar mais caros. Mas, se os valores desses produtos eletrônicos costumam cair naturalmente com o lançamento de versões mais novas, é possível que esses descontos demorem a aparecer. 


Setor da Construção civil

A demanda aquecida também afeta o mercado da construção civil, que vive um de seus melhores anos em muito tempo. Os custos de materiais e de mão de obra estão subindo e apertando as margens das construtoras. O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), principal indicador do setor, avançou 6,64% no acumulado em 12 meses até outubro. A forte alta do dólar também pesou sobre os custos do aço e do cobre, sem contar o aumento de 20% no preço do cimento.

Para completar o quadro, muitos fabricantes de insumos reduziram a produção nos primeiros meses da pandemia, receosos de ficar com estoques elevados. “As indústrias não estavam preparadas e falta item até para os apartamentos decorados”, diz Abrão Muszkat, fundador da You, Inc., incorporadora voltada para média e média-alta renda em São Paulo. Ele diz esperar que a situação só se normalize no primeiro semestre de 2021.


Fonte: Abracaf, BizNews - 11/11/2020

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